Argentina e Brasil discutem planos para uma moeda comum

O presidente da Argentina, Alberto Fernandez (à direita), e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (à esquerda), se cumprimentam após a assinatura de uma série de acordos durante coletiva de imprensa em Buenos Aires.

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Argentina e Brasil, as duas maiores economias da América do Sul, estão em negociações iniciais para criar uma moeda comum, como parte de uma tentativa coordenada de reduzir a dependência do dólar americano.

Mas alguns analistas estão altamente céticos, descartando a proposta como “torta no céu” por causa das discrepâncias entre as duas economias e a rápida mudança dos ventos políticos na região.

“Nossos ministros da Fazenda, cada um com sua própria equipe econômica, podem nos fazer uma proposta de comércio exterior e transações entre os dois países que seja feita em uma moeda comum”, disse o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva na segunda-feira em entrevista coletiva em Buenos Aires. Aires, Argentina, segundo a Reuters.

Falando em sua primeira visita internacional desde que assumiu o cargo, Lula disse que a moeda seria inicialmente destinada ao comércio e transações entre Brasil e Argentina. Posteriormente, poderia ser adotado por outros membros do Mercosul – o maior bloco comercial da América do Sul.

O ministro da Fazenda do Brasil, Fernando Haddad, disse que a adoção de uma moeda comum não foi projetada para substituir o real brasileiro e o peso argentino. Ele teria acrescentado que a moeda ainda não tem um nome ou prazo, nem os países buscariam uma unificação monetária ao estilo do euro.

Jimena Blanco, chefe da Verisk Maplecroft, consultoria de risco para as Américas, descreveu as negociações como um anúncio “extravagante” projetado “para chamar a atenção para uma cúpula regional de outra forma inconseqüente”.

“Três décadas após o início, o MERCOSUL ainda não cumpriu seu objetivo principal de integração comercial para seus quatro membros fundadores”, disse Blanco à CNBC por e-mail. “Desenvolver e implementar uma moeda sul-americana comum é, portanto, um sonho.”

“Nem a Argentina nem o Brasil estão desfrutando das condições econômicas ou políticas necessárias para embarcar em uma mudança tão fundamental, que levaria décadas para ser implementada efetivamente”, disse Blanco.

“Esperamos que o ‘Sur’ tenha o mesmo destino do Peso Andino, que nunca saiu do papel, ou do Sucre, a moeda digital de pagamento usada pela Venezuela e países ideologicamente alinhados que não tem mais do que valor simbólico e falhou em diminuir a importância do dólar americano no comércio regional”, acrescentou.

Conversas exploratórias

O presidente argentino, Alberto Fernandez, disse que, embora ainda não esteja claro como a moeda única funcionará na região, Lula e ele concordaram que depender de moedas estrangeiras para o comércio é prejudicial.

“É difícil acreditar que a Argentina e o Brasil realmente se movam nessa direção, dadas as discrepâncias nas duas economias no estágio atual”, disse Mario Marconini, diretor-gerente da consultoria Teneo, à CNBC por e-mail.

Marconini destacou que os países europeus levaram décadas para chegar a um ponto em que os países membros se sentissem prontos para avançar com uma moeda comum, e esse processo seguiu um período sustentado de coordenação e um nível relativamente alto de alinhamento na política macroeconômica.

O ministro da Fazenda do Brasil, Fernando Haddad (2º da esquerda), e o ministro da Economia da Argentina, Sergio Massa (2º da direita), assinam um acordo conjunto.

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Ele acrescentou que Lula foi “diplomático” para não contradizer o ministro da Economia da Argentina, Sergio Massa, que havia falado publicamente sobre os dois países trabalhando em direção a uma moeda comum.

“No entanto, Lula não conseguiu se comprometer com nada além de conversas exploratórias iniciais sobre questões cambiais bilaterais”, disse Marconini.

“A disposição de Lula de jogar dessa forma reflete muito mais o desejo de seu governo de retomar as boas relações com a Argentina [and Latin America] do que qualquer coisa concreta sobre como avançar em um assunto que não faria sentido economicamente na atual conjuntura.”

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