Bruno Pereira enterrado em seu estado natal após cerimônia liderada por tribos indígenas | Brasil

O advogado indígena assassinado Bruno Pereira foi enterrado em seu estado natal, Pernambuco, no Brasil, após uma pequena cerimônia com a presença de familiares e tribos locais.

Dezenas de indígenas da tribo Xukuru desfilaram ao redor de seu caixão cantando rituais de despedida ao som de seus instrumentos de percussão na sexta-feira.

De topless e usando cocares feitos de folhas de palmeira, eles saudaram um homem que passou grande parte de sua vida trabalhando com comunidades isoladas em partes remotas da floresta amazônica.

“Vamos continuar nossa luta sem eles”, disse um dos líderes da tribo em um breve discurso em frente ao caixão e ao lado da esposa de Pereira, Beatriz Matos.

O caixão de Pereira foi coberto com bandeiras de Pernambuco e seu time de futebol, Sport Recife.

O pai de três filhos, de 41 anos, morreu no dia 5 de junho, quando ele e o jornalista britânico Dom Phillips foram mortos a tiros no rio Itaquaí, no extremo oeste do Brasil.

Phillips estava escrevendo um livro sobre desenvolvimento sustentável na Amazônia e os dois homens voltavam de uma viagem de reportagem quando pescadores locais supostamente atacaram seu barco. Os tiros foram trocados e Pereira foi atingido três vezes, e Phillips uma vez.

Três homens estão sob custódia e outros são procurados pela polícia por supostamente ajudar a descartar os corpos.

Embora as autoridades tenham dito inicialmente que os assassinos agiram sozinhos, o oficial encarregado do inquérito agora está revertendo essa hipótese. “É possível que haja um autor intelectual por trás disso”, disse Eduardo Fonte. “A investigação está em andamento. Estamos olhando para tudo e não vamos deixar pedra sobre pedra. Vamos descobrir o que aconteceu e o que não aconteceu.”

Madeireiros, garimpeiros, fazendeiros e traficantes de drogas estão invadindo terras indígenas no remoto Vale do Javari, dizem grupos locais, e caçadores e pescadores são conhecidos por capturar espécies protegidas de animais e peixes. Os moradores afirmam que grupos do crime organizado ativos na área podem estar envolvidos nos assassinatos.

Pereira estava trabalhando com uma organização indígena chamada Univaja. Ele ajudou as tribos que viviam no Vale do Javari a delinear suas terras e protegê-las dos invasores.

Pereira já havia trabalhado com a Funai, a fundação indígena do governo brasileiro. Ele foi afastado do cargo em 2019 depois de liderar uma operação bem-sucedida para destruir uma operação de mineração ilegal em terras indígenas.

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Ele encontrou um novo lar trabalhando com ONGs no Vale do Javari, monitorando as tribos indígenas isoladas que vivem em um dos cantos mais distantes do Brasil.

“Hoje a terra onde nasceu o recebe, seu corpo reencontra o barro, as raízes das plantas, a água e o calor do solo”, observa o Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Contato Recente (OPI ), uma dessas ONGs, disse em comunicado.

Phillips, colaborador de longa data do Guardian, será enterrado no domingo em Niterói, perto do Rio de Janeiro. O jornalista de 57 anos será enterrado em um terreno pertencente à família de sua esposa.

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