Estudo relaciona comer muitos alimentos ultraprocessados ​​diariamente com declínio cognitivo

Novas pesquisas sugerem uma associação entre pessoas que recebem uma porcentagem maior de energia diária comendo alimentos ultraprocessados ​​e declínio cognitivo. Foto de arquivo por Kevin Dietsch/UPI | Foto da licença

5 de dezembro (UPI) — Existe uma associação entre pessoas que obtêm uma porcentagem maior de sua energia diária de alimentos ultraprocessados ​​e sofrem de declínio cognitivo, sugere um grande estudo com acompanhamento de longo prazo divulgado na segunda-feira.

No geral, 58% das calorias consumidas nos Estados Unidos, 57% na britânica, 48% na canadense e 30% na brasileira vêm de alimentos ultraprocessados, disseram os cientistas.

Isso inclui lanches doces e salgados, confeitaria, cereais matinais, sorvetes, bebidas açucaradas, carnes processadas e refeições congeladas prontas para consumo.

Os participantes do estudo no limite superior do consumo de alimentos ultraprocessados ​​- para os quais a contribuição percentual diária de energia de tais alimentos estava acima de 19,9% – mostraram uma taxa 28% mais rápida de declínio cognitivo global e uma taxa 25% mais rápida de declínio em função executiva — as habilidades mentais usadas todos os dias para aprender, trabalhar e administrar a vida diária.

Isso é comparado com pessoas que não comeram alimentos ultraprocessados ​​ou, se comeram, ficaram abaixo do limite de 19,9% durante um período de acompanhamento que durou em média oito anos.

Os resultados foram publicados no JAMA Neurology.

Embora a ingestão de alimentos ultraprocessados ​​tenha sido associada a um risco aumentado de doenças cardiovasculares, síndrome metabólica e obesidade, poucos estudos investigaram a associação entre esses alimentos e o declínio cognitivo em países de alta renda.

Assim, uma equipe de pesquisadores liderada por Natalia Gomes Gonçalves, do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em São Paulo, Brasil, começou a investigar a associação entre consumo de alimentos ultraprocessados ​​e declínio cognitivo em 10.775 participantes do Estudo Longitudinal Brasileiro de Saúde do Adulto.

O estudo envolveu uma amostra etnicamente diversa de servidores públicos, com idades entre 35 e 74 anos, recrutados em seis cidades brasileiras.

O consumo de alimentos e bebidas ao longo de 12 meses foi avaliado no início do estudo por meio de um questionário de frequência alimentar padronizado. A frequência de consumo de cada item foi transformada em gramas por dia e, a seguir, os alimentos foram classificados, de acordo com o grau de processamento industrial utilizado em sua confecção, em um dos três grupos de alimentos.

O primeiro grupo incluiu alimentos não processados ​​ou minimamente processados, como frutas ou vegetais frescos, secos ou congelados, grãos, carne, peixe e leite, que passaram por processamento mínimo como moagem, torrefação, pasteurização ou congelamento. Também incluía ingredientes culinários processados, como açúcar de mesa, óleos e sal.

O segundo grupo incluiu alimentos processados, incluindo frutas enlatadas, pães e queijos artesanais e carnes ou peixes salgados, defumados ou curados.

O terceiro grupo incluído incluiu alimentos ultraprocessados. Os cientistas disseram que se tratam de formulações de diversos ingredientes de outros grupos de alimentos, além de aditivos alimentares não utilizados no preparo caseiro, “como aromatizantes, corantes, adoçantes, emulsificantes e outras substâncias utilizadas para disfarçar qualidades indesejáveis ​​do produto final ou imitar as qualidades sensoriais de preparações culinárias” a partir de alimentos in natura ou minimamente processados.

Os cientistas analisaram o desempenho cognitivo dos participantes durante um período médio de acompanhamento de oito anos, juntamente com o nível de consumo de alimentos ultraprocessados.

As pessoas foram testadas até três vezes a cada quatro anos, testando a memória por meio de testes de recordação imediata, recordação tardia e lista de palavras de reconhecimento do Consórcio para Estabelecer um Registro para a Doença de Alzheimer.

Os pesquisadores testaram a função executiva das pessoas usando ferramentas que incluíam testes de fluência verbal.

“Essas descobertas apóiam as recomendações atuais de saúde pública para limitar o consumo de alimentos ultraprocessados ​​devido ao seu potencial dano à função cognitiva”, concluíram os autores.

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