Lepra: a antiga doença que os cientistas não conseguem resolver

Se um teste de diagnóstico rápido eficaz estivesse disponível – um que fosse não invasivo e eficaz, muitos desses casos perdidos de hanseníase e contatos próximos de pacientes poderiam ser diagnosticados, sem a necessidade de prescrições gerais de rifampicina para indivíduos potencialmente saudáveis. A boa notícia é que esses testes de diagnóstico estão atualmente em desenvolvimento – embora possam não estar disponíveis por algum tempo.

Para estudar a doença e sua progressão e desenvolver testes diagnósticos, os cientistas muitas vezes precisam injetar M. lepra em tatus, técnica que foi tentada pela primeira vez em 1971. “O fato de não podermos cultivar [grow] essa bactéria com tanta facilidade em ambientes de laboratório é outro fator que dificulta o progresso do desenvolvimento desses testes”, diz Sunkara.

Novos horizontes

Desde 2000, a Fundação Novartis tem parceria com a OMS, fornecendo medicamentos gratuitamente globalmente para terapia multimedicamentosa. Em fevereiro de 2022, eles firmaram parceria com a Fiocruz para um estudo que usa inteligência artificial (IA) para acelerar o diagnóstico da hanseníase. “Chamo isso de aplicar tecnologia de ponta a uma doença antiga”, diz Sunkara.

Existem pelo menos 20 a 30 outras doenças de pele que se apresentam como manchas brancas na pele, diz Sunkara. Usando o algoritmo de IA para analisar a maneira como a luz reflete diferentemente na superfície de cada doença de pele, é possível identificar casos de hanseníase, distinguindo-os de outras condições semelhantes com muito mais precisão. Seu estudo, publicado no Lancet Regional Health, calculou a precisão em 90% – mas com 1.229 imagens de pele, o conjunto de dados permanece pequeno no momento. Se for bem-sucedido em uma escala maior, poderá um dia ser uma ferramenta útil para ajudar a acelerar o diagnóstico e o tratamento.

Estigma contínuo

Embora os avanços modernos no tratamento e diagnóstico da hanseníase tenham mudado a vida de muitos pacientes, há um problema que nunca desapareceu: a discriminação implacável.

“A hanseníase continua sendo uma questão de direitos humanos profundamente enraizada”, diz Alice Cruz, relatora especial da ONU para a eliminação da discriminação contra pessoas afetadas pela hanseníase, função que ocupa desde novembro de 2017. Existem mais de cem leis que discriminam as pessoas com hanseníase em todo o mundo, criando um forte estigma que pode atuar como uma barreira para o tratamento, diz ela.

Em alguns países, a lepra é motivo de divórcio. Na Índia, esse era o caso até que as leis fossem alteradas em 2019. Muitas pessoas afetadas pela doença ainda lutam para conseguir empregos, e a doença pode impedir seu acesso à saúde e à educação.

“Os países devem fazer tudo ao seu alcance para abolir as leis discriminatórias e implementar políticas que possam garantir direitos econômicos e sociais às pessoas afetadas pela hanseníase”, diz Cruz. “No futuro, devemos nos perguntar: nossos sistemas de saúde estão trabalhando para oferecer acessibilidade total às pessoas afetadas pela hanseníase? Isso porque a hanseníase é muito mais do que uma doença, tornou-se um rótulo que desumaniza as pessoas que são afetadas por ela. “

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