Sarampo é ‘ameaça iminente’ globalmente, alertam OMS e CDC

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O sarampo, doença evitável, mas altamente infecciosa, pode estar prestes a voltar após uma pausa nos meses imediatos após o surgimento do coronavírus, disseram a Organização Mundial da Saúde e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA na quarta-feira.

Chamando o sarampo de “ameaça iminente em todas as regiões do mundo”, os dois órgãos de saúde pública disseram em um relatório que quase 40 milhões de crianças perderam suas doses de vacina no ano passado. Eles disseram que 25 milhões de crianças não receberam a primeira dose, enquanto outros 14,7 milhões de crianças perderam a segunda dose, marcando um recorde de vacinação perdida.

O número de infecções por sarampo diminuiu nas últimas duas décadas, embora continue sendo uma ameaça mortal, principalmente para crianças pequenas não vacinadas no mundo em desenvolvimento. Mas houve cerca de 9 milhões de casos e 128.000 mortes globalmente no ano passado, acima dos 7,5 milhões de casos e 60.700 em 2020. Esse aumento ocorreu em meio a uma vigilância mais fraca de doenças e campanhas de vacinas que foram adiadas pela pandemia, disseram a OMS e o CDC.

A vacinação também pode conferir benefícios à comunidade, um conceito conhecido como imunidade de rebanho. Cerca de 95% da população precisa ser vacinada com duas doses para que ocorra a imunidade coletiva, mas apenas cerca de 81% das crianças em todo o mundo receberam a primeira dose e 71% a segunda, disseram os dois órgãos.

Até agora, esta temporada de gripe é mais grave do que em 13 anos

O sarampo, que começa com sintomas semelhantes aos do resfriado, enfraquece o sistema imunológico, tornando os infectados mais suscetíveis a outras doenças. Convulsões e cegueira são possíveis em alguns casos, de acordo com o Serviço Nacional de Saúde da Grã-Bretanha.

A OMS já havia alertado que a queda nas infecções por sarampo no início da pandemia foi a “calma antes da tempestade”.

“A imunização de rotina deve ser protegida e fortalecida” apesar do coronavírus, disse Kate O’Brien, diretora de imunização, vacinas e produtos biológicos da OMS, no ano passado. Caso contrário, “corremos o risco de trocar uma doença mortal por outra”.

Hur Jian, especialista em doenças infecciosas do Centro Médico da Universidade de Yeungnam, na Coréia do Sul, disse que a recente recuperação nas viagens globais pressagia um provável retorno do sarampo, mesmo em países ricos com maior cobertura vacinal. As gerações mais jovens que tiveram menos exposição à doença podem ter defesas mais fracas, acrescentou ela.

Os Estados Unidos declararam que erradicaram o sarampo – definido como ausência de transmissão por um ano e um sistema de vigilância de bom desempenho – em 2000, mas surtos ocasionais ainda ocorrem. Este ano, mais de 50 casos foram detectados nos Estados Unidos, de acordo com o CDC.

Erin Blakemore contribuiu para este relatório.

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